Absolutamente. Que tinha de voltar a casa.





e não era lá.









É impossível. Esta rua tão vazia não pode minha casa aí.



                                                                           


Pessoas, gente: estão onde vocês? É que o caminho é convosco.
Ando, ando, ando.  Caminho. Chego:

- Eh vocês aí também de –entre- ?

E logo por cima de todos o cinzento agreste em suas nuvens convulsas, e ao fundo um azul cadente a brilhar. Tão improvável esse azul aí. Céu.

Ah, largar esta coisa diariamente quotidiana:  senso-arcaico minha casa
minha rua lácá-cálá. Lácá-cálá.

(muxoxo!)

Fixar o azul. Lhe conseguir. Nexo Novo – é PRECISO NEXO NOVO

- Xé, você!? De -Entre- também você? Ah. Afinal.

Então nós aqui já Rio que passa.
Lugar.
Casa.
Terra.


Branca Clara das Neves
                                 Lagos 




Dossiê do Perdão





Olha como a árvore respira ali na pedra. Santa.
Plantas bissapas vermelhas, brancas, verdes. Santas.
O céu ali mesmo, a passar. Santo.
Os pássaros e as lagartixas. Santos.
A atmosfera sustenta-nos de azul e ar e damos caminho à luz. Definitiva.
Somos muito pequenos.

Recebemos este lugar e matámos aqui. Todos matámos e eles que morreram.
Podemos sentar hoje e comer as laranjas nossas de longe pousadas nos cestos reais, nossos de longe. Laranjas Nzeto pousadas nos cestos Cazombo.  Marcas nossas.
Somos muito velhos, custa agradecer.
Recebemos este lugar e matámos aqui.

Agora não dizer que esse dossiê do perdão é lá com Deus.
É connosco mesmo.

Preciso desse ar, da pedra, das bissapas vermelhas, das lagartixas e dos cãezinhos que viram tudo. Aqui mesmo ao lado.
Passem os pássaros que nos ensinam a passar. Santos. Todos.

Preciso da atmosfera que sustenta. E tu. Ela também tinha dito. Antes de. Poder respirar lá.
Depois agradecer com os óleos perfumados. Uns aos outros consentir. Recebe então, sim. Dá então, sim.
Então, fica igual os dois. E a subir de verdade.

O chão sempre. O ar, os meninos, a lagartixa, os pássaros, a atmosfera que sustenta, a pedra.

Sempre a subir.

Branca Clara das Neves
Lubango







* Sudoeste de Angola, sec XIX-XX. Recolha do Arq. Pancho Guedes em Moçâmedes/ Namibe e Porto Alevxandre /Tombwa c. 1969