VELOCIDADE






Era cedo, um texto de Luandino me encontrou. Estivemos nos bebendo. Fiquei de pensar como são raros seus livros nas montras-compras-mesas.
Deve ser da velocidade.
E logo este livro claro, embriagante de humanidade, nossa épica escrita.
Então,

do Livro dos Guerrilheiros de José Luandino Vieira, pág.36


“ (...) não tem, em kimbundo nosso, palavra para bicicleta?

Se riu muito, de seguida, dentes como raios de bicicleta no sol, faiscando entre as folhagens; sua mão em minha carapinha, tilintava campainha de meu coração. E aí me puxou ainda no fundo daquele canto daquela mata do Bom-Branco, perto da cacimba, para me ensinar meio risado:

-Kadimbula, karimbula...

E mais sério depois, parecia era alguma nuvem lhe atropelara o riso dos olhos:

-Temos todas as palavras, meu filho, todas!...

E muito mais sério, triste quase, virado à mata:

-Temos suficiente sofrimento para isso...

Saiu embora.”

Branca Clara das  Neves
                                                                                                                                                                      Luanda