na Deserta
Ver e engraçar e fugir, sempre a ir, sempre a ir!
Os próprios olhos nossos nos sugam. Afinal.
Ver e ficar- saber.
Aí o tempo de receber o brilho que vem à respiração, fresco.
Estenda a mão - o ar dá o contorno do corpo.
Deixe lá os olhos em standing by.
É a pele na fala - plena
Para o ir, fazer nada. O ir está sempre aí, certo. Leva o nosso. O brilho dele, fica.
Ficar. É Verão. O tempo largo que chega.
Os dedos dos pés abertos vitais experimentam.
Praias voluptuosas da não-predação. Há.
Trilhos do nosso tempo.
Os amantes nas ilhas debruçam-se sobre o mar. Sabem da outra pele.
Insistir ficar. Afinal.
Olhos virados para o brilho.
O tempo alarga e nós lá. Água, Mulher, Filho, Pão. Peixe.
Oh, Luz!
Afinal ficar.
À noite acendem-se quintais de luz. Visitamos.
Eternos uns dos outros.
Branca Clara das Neves
Deserta
