Rua do Alecrim, olha só!








                                                                              Rua do Alecrim, olha só!!!


“Olha só, rua do Alecrim, os barcos passam lá ao fundo, vês? Plena rua passam já no Tejo, vão longe... Havemos de lhes dizer  adeus por dentro, rir, rir, as duas a rir sem parecer mal... e  música e dançar,  ouvir bem o bater da mulemba  que vem a chegar até aqui.

Dizias minha tia, a árvore Mulemba faz os filhos nas estacas que caminham. Chega uma e outra, depois faz muxitos. Sabias sim, mais velha Namuene, Tata pfwo, minha linhagem, sabias sim.

Sinto-lhe a chegar, a mulemba a chegar aqui, bem aqui,  sem  licença, pela casa adentro, sem mapa. Não-coisas estão já aqui.


Estremeceu:
- Joca, confirmaste a hora?
- Sim Vó, confirmadamente atrasado...”





Extracto do livro Luena Luanda Lisboa
2014, Edições Colibri