“baca brutu” Bijagó
Carta para pôr no Crioulo
Anós tudu i Burumtuma, escreveu um
grande guineense.
Como podemos continuar a insultar as
avós que conseguiram chegar primeiro à praça? Outro grande guineense que disse.
Avós esforçadas, conseguiram chegar à
praça, lá, três vezes o tempo para trás. Matar as avós nos outros? (tchia!)
Saber fechar os olhos para poder
sentir as fronteiras. Macho! Abrir os olhos para os rios que vitalizam. Do
avião parecem cobras. De perto água. Alimento. Ficar quieto para sentir a Terra
crescer e entrar no coração. Encolhe já tu então para sentir como a terra te
entra dentro. A engrandecer. Não é?
Chamar a roda que resolve.
Corações a crescer ao limar das
unhas. Machos.
Abrir os ouvidos ao chamar da Terra. A
força poderosa das mães. Perdoar. Então.
Um queixo Nalu extraordinário brilha
em Paris, disse uma grande guineeense. Um Baca Brutu poderoso em Bruxelas eu
que lhe vi. Então machos?
Desarmar por dentro. Conseguir chegar.
Lá, à Graça que há para além do
poder. Ouviram Mandela, vêem-lhe o rosto. Isso é responsabilidade.
No tempo três vezes três, atrás lá, no Kongo longe-longe,
passavam os homens um a um por debaixo das pernas da mãe maior para ganhar a
justeza da guerra. Porque estamos a fazer ao contrário? Faz primeiro depois
pensa. A Bissau Guiné só um tabuleiro em cima da mesa? Já no
tabuleiro, mexer umas peças para ver o que acontece. Conseguir ir dormir de
seguida. Ou cochilar um pouco, as negociações cansam. As avós outra vez a
morrer. Matar a dormir.
Nossas fronteiras frouxam, Machos,
então?
Perdoar os mercedes que carmussam a
terra. Nós todos limpar dentro da cabeça nossos próprios mercedes. Perdoar os
assassínios. Parentes. Nossos mortos ajudam. Três vezes atrás para saltar
largo.
Aceitar o inaceitável. Ultrapassar o
acontecido. Assim que procedem as mães.
Machos, a força delas vocês conhecem
bem. Habituados. As mães chamam.
Então??
Branca Clara das Neves
Canhabaque
Canhabaque
